Nunca
nunca me entendeste mesmo. é, eu sei, bela maneira altruista de começar este que espero seja o derradeiro chôrorô, o final lamento de tudo que não fomos. é claro que este "espero" é baseado na dita esperança, a mesma que até agora, tantos anos passados, não deu sinal algum de existência. o que é bem apropriado, considerando-se estar associado a palavra esperança, a deusa enganadora, dourada, tentadora, voluptuosa, olhos brilhantes, mas vazia de fundamento. queria te dizer que não penso em ti, que não te vejo nos olhos e no sorriso daquela atriz que insiste em existir, como também insistem meus sentimentos por ti. seria tão conveniente se ela sumisse, se ela desaparecesse, se ela casasse com um rico austríaco, que por lá fosse morar, que nunca mais aparecesse, que nunca mais a visse nas telas e páginas e fotos e jornais. é, vai ver a culpa é toda dela. dela e da máquina de divulgação do showbiz. um pusta mega-complô. que insistentemente me lembra do meu fracasso, dos meus tantos erros, das minhas furadas e vacilos. tanta gente unida só pra me provar que sim, te perdi. fiz tudo errado, não espero e por mais que me engane sonho que um dia, terei uma segunda chance. ou seria a quarta? perda de tempo, sem dúvida.

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